Do Sofrimento à Cura: o relato de um pai sobre a história de superação de sua filha!

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Engana-se quem pensa que endometriose é apenas assunto de mulher. Cada vez mais os homens estão assumindo seu papel na criação dos filhos. E isso reflete também no cuidado com a saúde, especialmente, daqueles que têm meninas.

Desde que conheci a brasiliense Ana Karenina Macedo em 2016, ela sempre comentou a importância do apoio de sua família, especialmente, do pai quando ela sofria com a endometriose.

Como agosto é o mês deles, convidei seu pai, o advogado senhor Macedo, para contar como foi sua luta em busca da cura de sua filha. Um depoimento emocionante que além de ajudar a levar uma nova consciência sobre a doença, vai abrir a mente daqueles pais que ainda não acreditam na dor de sua filha.

O apoio e o carinho da família com certeza faz toda diferença no tratamento da endometriose. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Por Conceição José Macedo, advogado 
Edição: Caroline Salazar

Escrevo esse depoimento, a pedido da minha filha e de Caroline, para relatar como me senti durante o diagnóstico, tratamento e cura da endometriose dela e como é importante o apoio da família às portadoras dessa doença.

Na minha idade, 74 anos, já havia passado por inúmeras situações estressantes, mas nenhuma tão duradora, como o caso desse mal, que atinge as mulheres, inclusive a minha filha, causando fortes dores, desespero e aflição de suas portadoras. 

A doença chega de mansinho, de difícil diagnóstico, assumindo características e sintomas de várias outras doenças.

E assim se apoderou da minha filha, causando-lhe grande preocupação e desconforto, e, por isso, foi submetida à primeira cirurgia. Eu não conhecia nada disso, nem entendia muito bem e por isso não sabia o que esperar.

Daí passamos a acreditar que o mal havia sido dissipado. Essa crença, no entanto, durou pouco, porque as dores voltaram com intensidade, deixando-a triste e sem direção.

E a mim também por não saber o que fazer para ajudar. Não há nada mais desolador do que ver alguém que você ama sentindo dores e ninguém conseguir diagnosticar o que é.

Depois de algum tempo de dores e aflição, foi nos dito que era endometriose novamente e que a única indicação para o caso era a cirurgia. Ela foi submetida à sua segunda cirurgia e colocou um DIU que supostamente evitaria que a doença crescesse outra vez.

Nesse procedimento cirúrgico resultou na perda de um ovário e uma trompa. A comunicação das perdas soou como um verdadeiro desastre, embora estivesse com a vida, mas o sonho maior dela era de ser mãe de muitos filhos.

E meu maior sonho era que ela fosse feliz e realizasse seus sonhos. Por isso fiquei muito estremecido e me sentindo impotente diante daquilo.

No dia da cirurgia, ela foi acompanhada pelo irmão mais velho. Quando cheguei ao quarto do hospital, fui logo avisado por meu filho, que ela já sabia do resultado e estava inconformada.

Naquele instante, fui a sua direção para confortá-la, antes, porém, ela me olhou com seus olhinhos plenos de lágrimas, querendo me contar o que eu já sabia, e sem conseguir dizer uma palavra, desabei em lágrimas, sendo acalentado por ela.

Porém, a doença, com tudo isso, não estava dissipada. Não durou muito e os sintomas do mal voltaram com a mesma intensidade.

A minha filha com uma proposta de emprego nos Estados Unidos, com data certa para o começo do trabalho, foi desaconselhada pelo médico a viajar, enquanto não a tratasse.

E vi, mais uma vez, seus sonhos sendo dissipados. Isso não é fácil a um coração de pai. A família empenhada colou os joelhos no chão, terço na mão, pedindo ao Altíssimo, que mostrasse a ela o caminho da cura desse mal perverso.

Nós estávamos dispostos a viajar para o mais longínquo canto do mundo em busca da cura. Foi aí que veio a luz! Minha filha entrou na internet a procura de um especialista e foi encontrado no blog A Endometriose e Eu.

O canto do mundo era aqui, na nossa cidade, Brasília-DF. Aqui reside o doutor Alysson Zanatta, especialista na cura dessa doença.

A partir daí, foi marcada a primeira consulta, foi realizada a cirurgia com sucesso e, desta vez, o mal foi realmente dissipado, tanto que, não existem mais os sintomas e nem novos focos.

Há dois anos ela está não toma nenhum hormônio e menstrua mensalmente e sem dor. Retorna-se ao médico, apenas, para rotina. Leia a história completa de minha filha já contada no blog A Endometriose e Eu.

Hoje vejo minha filha sadia, feliz, com grandes planos para o futuro, inclusive, o de ser mãe, que está nas mãos de Deus para que se realize.

E eu só posso agradecer a Deus primeiramente, ao doutor Alysson e ao blog “A Endometriose e Eu” por terem sido caminho de cura para minha filha.

Podemos dizer, dito popular, que: “Há males que vem para o bem”.

Hoje minha filha conhece muito sobre a doença, participa de encontros e seminários sobre o tema e comunica-se com mulheres do Brasil e do mundo divulgando a doença e seus sintomas.

Macedo, à esquerda, caminha ao lado da filha, Ana Karenina, que comanda a EndoMarcha 2018 no Parque do Sudoeste na capital federal

Ela é referência para muitas mulheres em Brasília em relação à doença e na indicação dos médicos para o efetivo tratamento. Eu me sinto muito orgulhoso de vê-la dando a volta por cima e ajudando outras mulheres a seguir em frente e não perder a fé.

Não bastasse isso, ela coordenou por dois anos a EndoMarcha em Brasília, que acontece no mês de março, e a cada ano tem aumentado o número de participantes.

Participo com ela na EndoMarcha, empunhando a bandeira com o maior

O orgulho do engajamento da filha na conscientização da endometriose 

entusiasmo, porque entendo o tamanho da minha vitória, tendo minha filha sã e salva do mal perverso que a corroía, e agora virou referência na ajuda a outras mulheres.

Quanto a mim, como pai, voltei a ter alegria e também a honra de poder abraçar e abençoar minha filha todos os dias e desejar que Deus e Nossa Senhora acompanhem sempre os seus passos.

 

 

 

Fotos: Arquivo Pessoal/ Ana Karenina Macedo

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