A história da leitora Janina Brito: cura de sua endometriose à gestação natural com adenomiose!

0

A primeira “História das Leitoras” de 2020 além de emocionante serve de alerta para qualquer menina e ou mulher saber que nenhuma dor e ou desconforto durante ou antes ou após o período menstrual é normal.

Após a via-sacra de médicos em busca de um diagnóstico e nome para as dores que sentia desde seus 12 anos, quando menstruou pela primeira vez, a carioca Janina Brito descobriu o nome e sobrenome de suas dores e da infertilidade que sofria.

Como sua ex-ginecologista falava que seus relatos de dores durante e após a menstruação eram normais, outro sintoma da endometriose bateu à porta da analista de sistemas: a infertilidade.

Após 5 anos tentando engravidar e com as dores cada vez mais intensas que já a impediam de trabalhar e sair de casa, que não melhoravam nem mesmo com a morfina que tomava quase que diariamente na emergência de um hospital, Janina intensificou sua busca para saber o que de fato tinha.

Quando finalmente teve seu diagnóstico de endometriose e adenomiose, ainda sem não saber da gravidade de suas doenças, ela passou por duas cirurgias incompletas, por cauterização, e continuou indo à emergência para tentar aliviar suas dores.

Em uma dessas idas, a médica que a atendeu, pela primeira vez, deu atenção às suas dores e a indicou um especialista que ela tinha certeza que a ajudaria: o doutor Eduardo Valle. E, a partir desse dia, a história de Janina mudou.

Em 2016, após a cirurgia de excisão que retirou toda sua endometriose, que já atingia nervos e vários órgãos da pelve, ela voltou a menstruar normalmente mesmo com adenomiose e, um ano depois, engravidou naturalmente e hoje é mamãe do Samuel.

Em 2019, Janina repetiu o exame de rotina e confirmou a cura de sua endometriose e o agravamento da adenomiose. Mas quem vai contar para você – e tenho certeza que você irá se identificar em muitos pontos – mais essa história de fé, superação da infertilidade e cura da endometriose é a própria protagonista.

Com você, a história da carioca Janina Brito! Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

“Meu nome é Janina Brito, sou do Rio de Janeiro, tenho 38 anos, trabalho como analista de comércio exterior e logística internacional, casada há 10 anos com Alessandro Jonady Oliveira, 46 anos, administrador, e mãe do Samuel, 1 ano 10 meses.

Meu histórico de doenças ginecológicas começou na adolescência. Eu sempre tive muitas cólicas menstruais desde a minha menarca, aos 12 anos, e saía muito coágulo.

Em 2001, aos 20 anos, após uma cirurgia de emergência por cisto de ovário roto (6 cm), tive uma hemorragia muito forte e, a partir daí, comecei a dar mais importância para estas questões. Meu colo de útero sempre foi muito sensível, sempre sangrou muito e já fiz muitas cauterizações em clínicas.

Janina, aos 8 meses de gestação, recebe o carinho do marido, Alessandro.

Em 2009, após cinco anos tentando engravidar, comecei a investigar as possíveis causas da minha infertilidade. Em 2011 tive o meu primeiro diagnóstico de endometriose, ovários policísticos, colo de útero ainda com feridas e cauterizações necessárias (suspeita de DIP).

Em outubro de 2012 fiz a minha primeira cirurgia para retirada de focos de endometriose e, a partir de então, comecei o tratamento com o dienogeste. Cerca de 6 meses após o início desse tratamento descobri 2 nódulos sólidos na mama direita e, desde então, faço o acompanhamento destes nódulos a cada 6 meses.

Interrompi o tratamento para endometriose em março de 2014 para tentar engravidar novamente e, em 2015, comecei a sentir fortes dores pélvicas, lombares, na perna esquerda a ponto de se tornarem incapacitantes.

Retornei à médica que me acompanhava desde 2011. Fiz nova ressonância magnética e, segundo esse exame, o diagnóstico era de adenomiose profunda e invasiva e endometriose, mas a endometriose naquele momento não justificava a dor que eu sentia e nem uma nova intervenção cirúrgica.

Àquela época eu só pedia para retirar todos os meus órgãos reprodutores, pois a única coisa que eu queria era cessar aquelas dores e voltar à minha vida normal.

Ela explicou que se eu quisesse muito a retirada dos órgãos era muito simples e podia ser feito, inclusive, pela vagina. Eu queria muito fazer a histerectomia total e ficar livre das dores.

Aí ela me explicou que tinha a questão da necessidade de reposição hormonal e confesso que isso me assustou um pouco por conta dos nódulos que tenho na mama direita.

As dores persistiam e tive a indicação de uma amiga para procurar o Departamento de Cirurgia Minimamente Invasiva da Perinatal, pois segundo ela, lá tinha um médico muito bom que iria me ajudar.

Na consulta, ele pediu outra ressonância magnética, mas, desta vez, com a supervisão de uma radiologista superespecializada em endometriose aqui do Rio.

Fiz o exame e foi descartado qualquer associação das dores à minha endometriose. Com isso, esse médico me encaminhou para um ortopedista e, na sequência, realizei mais de 4 ou 5 ressonâncias (coluna, pernas, quadril e outras tantas que nem me lembro mais).

Coloquei parênteses para esses exames, pois sou claustrofóbica, e foram experiências dolorosíssimas que não consigo expressar em palavras todo o processo e sofrimento que passei.

Algumas dessas ressonâncias, eu fiz com os dois braços para cima, segurando as mãos de alguém e com muitas, muitas lágrimas de desespero, obviamente. Quem é claustrofóbico vai me entender.

Nesta época eu já não conseguia mais trabalhar. Era difícil para andar, a dor repuxava da pelve para perna esquerda e eu mancava muito. Já estava apresentando atestados no trabalho de 7, 15 dias, mas até, então, não havia me afastado oficialmente pelo INSS.

Após todos os laudos ortopédicos, o doutor resolveu me encaminhar para o Centro de Tratamento da Dor alegando que eu não tinha “nada”. Eu passei muito mal na consulta, fiquei vermelha, com o rosto quente de nervoso e sem saber o que fazer.

Como minhas dores não cessavam, eu sempre tinha de retornar à emergência do Perinatal e a essa altura já tomava 1 comprimido de tramal duas vezes ao dia, mas não adiantava.

Em uma das minhas idas à emergência, entrou em meu caminho a doutora Michelly Motta, e, a partir daí, minha história finalmente começou a mudar. Que profissional e ser humano incrível!!

Já no primeiro contato, ela se solidarizou muito com a minha dor e quis me ajudar. Logo começamos um tratamento para dor com acompanhamento semanal no hospital e por telefone também.

O tratamento ajudou a aliviar as dores e também as infecções do meu colo de útero. Porém, como eu queria engravidar, sugeriu que eu procurasse um especialista em endometriose, o doutor Eduardo Valle.

Ela me disse que tinha certeza que ele sim iria me ajudar. Marquei a consulta com ele e, na mesma semana, uma amiga havia me indicado um “pneumologista” (perceba o meu desespero!) que atendia na Casa de Saúde São José.

Essa minha amiga me orientou que eu o procurasse e pedisse para me internar em algum hospital para que fizessem uma investigação/ varredura em mim para resolver meu problema de vez.

Mesmo já estando agendada com o doutor Eduardo, fui à consulta com esse pneumologista, que me explicou o porquê não poderia me internar, mas que iria me indicar um médico de São Paulo, que atende no Rio e é considerado o “papa da endometriose” no Brasil.

Ele estaria no Rio nas próximas semanas e eu comecei, inclusive, a cogitar uma consulta em São Paulo. Nesta mesma semana fui à consulta com o doutor Eduardo.

Quando ele pegou minha última ressonância, já foi logo vendo as imagens e não deu muita bola para o laudo dos exames naquele primeiro momento, ao contrário de todos os médicos que passei que só deram atenção ao laudo e não olharam às imagens.

Esse fato me chamou atenção e, logo na primeira “olhada”, o doutor Eduardo já me disse que eu estava cheia de focos de endometriose, inclusive, nos nervos do lado esquerdo, justamente onde eu sentia mais dores.

Depois de olhar todas as imagens, ele olhou o laudo. Era janeiro de 2016 e eu já tinha 35 anos. Ele estava entrando de férias, mas já agendou minha cirurgia para fevereiro. Explicou tudo que iria fazer e que retiraria toda a doença até a raiz.

O doutor Eduardo é gente como a gente, apesar de ser um gigante como sabemos que é. Depois descobri com a doutora Michelle que ele e o tal “papa da endometriose” são colegas e fazem o mesmo tipo de cirurgia, a de excisão/ ressecção que retira toda doença pela raiz.

Nessa consulta, ele me deu os documentos comprobatórios que precisava para uma futura perícia e já me afastou oficialmente pelo INSS. Com esses documentos consegui agendar tudo com e regularizar minha situação no INSS, pois como fiquei de outubro de 2015 a janeiro de 2016 sem um diagnóstico preciso, não consegui trabalhar e nem me afastar do trabalho nos termos da lei

Minha cirurgia foi no final de fevereiro e retornei às minhas atividades no início de abril. Fiquei um mês de repouso após a cirurgia e voltei à ativa. Eu tinha tanta endometriose que já estava profunda tomando os nervos da pelve.

Eu estava com endometriose peritoneal comprometendo a bexiga, as fossas ováricas já comprometiam os ligamentos úterossacros, tinha focos nos nervos dos plexos hipogástricos inferiores e adenomiose.

Eu também tinha muita fibrose no trajeto abdominal dos nervos íleo inguinal e íleo hipogástrico por conta de cirurgias anteriores. Nessa cirurgia também foram retirados um mioma e um teratoma.

Um ponto importante que quero falar para vocês foi o custo gigantesco que tive nesse processo de outubro de 2015, quando comecei minha saga em busca do meu diagnóstico, até abril de 2016, data da minha reintegração ao trabalho.

Me afastei pelo INSS em uma época de greve em que a perícia só foi agendada meses depois e fiquei sem receber salário por meses. Após a perícia, passei a receber 50% do meu salário pelo INSS.

Muitas consultas particulares, pouco reembolso do plano de saúde, muitos remédios, etc. Esse é um dado que afetou muito meu emocional, mas em tais circunstâncias você só pensa em se curar e no final o resultado foi compensador.

O sorriso radiante de Janina com seu bebê de 9 meses nos braços.

E, falando especificamente do doutor Eduardo, ele foi o melhor investimento da minha vida. Hoje continuo em acompanhamento e tenho vida normal, graças a Deus. Acabei com meu pesadelo!

Ah, e descobri depois que foi o doutor Eduardo quem implantou o Departamento de Cirurgia Minimamente Invasiva da Perinatal.

Minha recuperação pós-cirúrgica foi ótima e as dores diminuíram 90%. Não digo 100%, pois após cirurgia de excisão escolhi não tomar hormônios e, mesmo ainda com a adenomiose, menstruo todo mês.

Eu ainda sinto algumas dores. Hoje meu ciclo é de 5 dias e tenho dor forte nos primeiros 2 dias e quando ovulo do lado direito. Mas nada comparado ao que eu sentia antes, de não conseguir me mexer, andar. Antes dessa cirurgia tinha dor 30 dias no mês e 24 horas por dia. Desde 2016 tenho vida normal.

Eu indico o doutor Eduardo para todas as pessoas que eu conheço e que tem endometriose. Além de fazer a cirurgia de excisão, ele possui técnicas supermodernas para prevenir aderências pós-cirúrgicas, sem falar no bom humor e approach amistoso que é muito particular dele.

Me senti muito confortável, até mesmo com a retirada dos pontos e do botão de madrepérola no consultório (risos). Eu escutei meu útero voltar para o lugar. Achei muito engraçado e curioso tudo isso. Guardo esse botão até hoje como recordação.

Nota da editora: Segundo o doutor Eduardo Valle, é um botão de costura mesmo de madrepérola, esterilizado, claro, para ser usado como material cirúrgico, e é uma técnica moderna para prevenir as aderências. Ele é usado quando se retira focos de endometriose do compartimento posterior para fixação temporária do útero em anteverso flexão. O botão fica sobre a pele, acima do púbis, e o fio fixa internamente no útero. Esse fio é cortado no primeiro retorno pós-operatório quando a paciente retira os pontos.

Eu fiquei perplexa com a atenção dele durante todo o tempo. Mais de 6 horas de cirurgia e, mesmo assim, ele ligou no quarto para confirmar com minha família qual o lado que eu sentia mais dor.

Ele disse muito carinhosamente para minha família que “limpou” a casinha e que não era doido de tirar meu útero com a idade que eu tinha, 35 anos, e também porque queria engravidar.

O serelepe Samuel, 1 ano e 5 meses, chegou de forma natural menos de 1 ano após a cirurgia de excisão de Janina. Antes, ela já tentava engravidar há 9 anos.

Como melhorei muito das dores, a ideia de retirar os órgãos reprodutores foi posta de lado, mas confesso que a minha esperança de gravidez era zero. Eu já tinha, inclusive, ido visitar a vara da infância e adolescência da minha região e iniciado os trâmites de documentação para adoção.

Eu não tomava contraceptivos, mas interrompia o coito, pois como o meu colo sempre foi muito frágil, eu evitava relações sexuais com coito por achar que “corroía” a parede do útero e propiciava mais cervicite (nota da editora: inflamação no colo do útero)

Aliás, talvez, isso seja mais um mito que precisa ser desmistificado (risos). Porém, muito ocasionalmente no período fértil, eu não interrompia o coito para tentar a sorte.

Os 10% que ainda sinto de dor vêm junto com sangramentos fora da menstruação e, às vezes, ficava sangrando uma semana antes do fluxo mais intenso descer. Eu tinha um quadro de cervicite crônica, tomava antibiótico e melhorava, mas passava um tempo voltava.

Em maio de 2017 comecei um dos tratamentos com antibiótico oral e local para cervicite aguda. Eu estava de férias e, em um destes dias, tive relações sem interromper o coito.

E bingo, engravidei! Por isso sei exatamente o dia exato que concebi meu filho. Porém, jamais imaginei que poderia engravidar naturalmente e ainda por cima tão rápido após a cirurgia. Afinal, eu tentava engravidar desde 2009, e nada.

Três semanas depois viajei para Foz do Iguaçu e, no período em que a menstruação deveria descer, tive um leve sangramento e assim se seguiu por dias. Porém, não desceu o fluxo intenso de sempre.

A primeira coisa que imaginei foi que a minha menstruação estava voltando a ficar desregulada, mas confesso que também pensei numa possível volta da endometriose.

No retorno da viagem resolvi fazer um Beta HCG para descartar a hipótese bem improvável e quase impossível de gravidez natural, pois após 8 anos tentando, já não acreditava nessa possibilidade.

Aliás, abro outro parênteses para falar que a cada consulta, a doutora Michele me dava um pedido de beta (risos). Nunca vi uma médica ter mais fé que a própria paciente! E esse pedido foi providencial.

Fiz o beta pela manhã e no final do dia saiu o resultado quantitativo, mas confesso que fiquei confusa com o resultado, pois não estava escrito positivo ou negativo no laudo. Tinha apenas números.

Enviei mensagem à doutora Michelly, mas como ela não visualizava, comecei a mandar mensagem para todos os amigos médicos para me ajudarem a decifrar o exame. Quanta ansiedade! E todos disseram: “Você está muito grávida”!

Quando a doutora Michelly retornou, ela nem respondeu a mensagem, já me ligou direto e disse: “Você está grávida, mas fica parada porque está com sangramento. Então, repouso absoluto”.

A família completa: Alessandro, Janina e Samuel, 1 ano e 7 meses.

Me receitou um remédio local para conter o sangramento e me indicou um obstetra de sua confiança para eu fazer meu pré-Natal. Aliás, outro anjo que entrou na minha vida.

Foram meses de muita ansiedade e medo de não conseguir levar a gravidez até o final, mas Deus foi muito generoso comigo e o meu príncipe nasceu com saúde e graça no dia 02 de março de 2018.

Um ano depois, em 2019, voltei a acompanhar minha saúde. Fiz a ressonância de rotina que constatou adenomiose profunda que pode ter sido agravada possivelmente pela gravidez, mas não constou nenhum foco de endometriose.

Ainda tenho dores, muitas vezes elas são fortes, mas são apenas nos primeiros dias dois dias da menstruação e quando ovulo do lado direito. Nos outros dias tenho vida normal. E isso é maravilhoso, pois consigo trabalhar e cuidar do meu filho. 

O quadro de cervicite crônica persiste, mas estou em constante acompanhamento. Os nódulos da mama estão estáveis e com relação à vida pessoal, ser a mamãe do Samuel me faz ser a mulher mais feliz de todas!

Nunca imaginei que fosse possível ter esse privilégio! E se realmente for necessária a retirada do útero por algum agravamento futuro, já fui presenteada com o maior bem que um ser humano pode ter.

Não foi fácil tudo que passei, mas gosto de falar sobre o assunto para que minha história dê esperança às endomulheres que sofrem com a doença, principalmente, àquelas que acham que não podem gestar.

Eu sou a prova de que é possível gestar mesmo com endometriose extremamente profunda e ainda por cima adenomiose. Sempre indico os profissionais magníficos que passaram no meu caminho e que me ajudaram a realização meu maior sonho.

Espero que minha história ajude a levar esperança e fé às tentantes com endometriose profunda e adenomiose. E, se você tiver que passar por cirurgia, verifique se o cirurgião é apto a retirar toda a doença pela raiz.

Eu já tinha feito duas cirurgias anteriores por cauterização, onde a doença profunda não é totalmente retirada, mas eu não sabia dessa diferença. Com o profissional certo tenho certeza que sua benção irá chegar.

Acredite, a medicina humanizada existe. A competência é rara, mas existe e, acima de tudo, existe Deus que capacitou cada um desses profissionais que proporcionou o maior milagre de nossas vidas. Vá atrás de quem sabe tratara doença e você também terá seu milagre. Beijo carinhoso, Janina”.

Fotos: Divulgação/ Janina Brito

Deixe seu comentário