“Com a palavra, o Especialista”, Doutor Tomyo Arazawa!

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A dor pélvica crônica (DPC) é um assunto complexo e que gera muitas dúvidas nas endomulheres. Além da endometriose, há outras doenças que podem causar a DPC.

Porém, como o diagnóstico da endometriose ainda é extremamente tardio para muitas de suas portadoras, há grande prevalência de endomulheres com DPC.

Em “Com a Palavra, o Especialista”, o doutor Tomyo Arazawa explica resumidamente sobre a DPC, mas é importante salientar que o tratamento é sempre individualizado, pois depende da causa, da intensidade da dor, entre outros fatores.

Não há uma regra ou fórmula mágica. O mais importante é a mulher ser acompanhada por profissional capacitado e que acredita no que você sente.

Já a outra questão é um pedido de ajuda. A leitora tem endometriose ovariana e pede conselho do que fazer para endomulheres como ela que tem recidiva de endometrioma e quer engravidar.

Se você tiver dúvida sobre endometriose, adenomiose, infertilidade ou qualquer tema relacionado à saúde da mulher, deixe-a aqui com seu nome, sobrenome, cidade e estado. Compartilhe mais um texto exclusivo A Endometriose e Eu e ajude-nos a levar uma nova conscientização da endometriose. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Atenção: Esta coluna existe para tirar sua dúvida e para que você vá mais informada na sua próxima consulta. Porém, ela não substitui sua consulta médica, e, em hipótese nenhuma, tratamos de casos específicos nesta seção.

  • Doutor explique melhor a dor pélvica crônica e seu tratamento? Daiane Mesquita – Rio de Janeiro

Doutor Tomyo Arazawa: Oi, Daiane! A dor pélvica crônica (DPC) é um tema extremamente amplo! Não será possível explicar tudo em um parágrafo. Resumidamente, a dor pélvica crônica é qualquer dor na região pélvica que tenha duração superior a 3 meses e que traga um impacto negativo na qualidade de vida da paciente.

Há inúmeras causas possíveis, desde doenças ginecológicas (como a endometriose), problemas urológicos, gastrointestinais, articulares, neurais, musculares, alteração de sensibilidade, entre outras. Não há um padrão para causa e comportamento da dor, por isso a avaliação precisa ser muito individualizada, assim como o tratamento.

São poucos os profissionais que se aprofundam na área, o que torna a vida das pacientes portadoras de DPC muito mais difícil. Mas sempre é possível melhorar a qualidade de vida! Não costuma ser uma jornada fácil e nem curta, mas sempre há um caminho!

– Qual seu conselho para as portadoras de endometriose que querem engravidar, mas que tem recidiva de endometriose ovariana? Maria do Rosário – São Paulo, SP

Doutor Tomyo Arazawa: Para quem teve recidiva de endometrioma ovariano e quer engravidar, antes de mais nada é fundamental avaliar a reserva ovariana. A reserva ovariana representa o quanto de óvulos a mulher ainda tem. Essa avaliação não é absoluta, pois não é possível contar a quantidade de óvulos.

É preciso avaliar se a reserva está normal ou baixa para a idade. As três principais formas de se avaliar reserva é a dosagem do Hormônio Antimulleriano (sem uso de contraceptivo hormonal, preferencialmente no período menstrual), dosagem de FSH, LH e estradiol durante o período menstrual, e a contagem de folículos antrais por ultrassonografia transvaginal, também durante o período menstrual.

Se essa avaliação concluir que você está com reserva ovariana mais baixa, e dependendo da sua idade e da presença de outros fatores de infertilidade, pode estar indicado tratamento de medicina reprodutiva (FIV), mesmo antes de uma nova cirurgia.

Mas essa recomendação não é absoluta. Sabendo que a cirurgia pode comprometer ainda mais a reserva de óvulos de pacientes já operadas, a FIV pode ser um caminho mais adequado antes de uma nova cirurgia.

Sobre o doutor Tomyo Arazawa:

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), doutor Tomyo Arazawa fez sua Residência Médica e especialização em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Foi o Preceptor de Ginecologia da FMUSP e se especializou em cirurgias minimamente invasivas (Endoscopia Ginecológica) também no Hospital das Clínicas da FMUSP, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas.

Tem título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e em Endoscopia Ginecológica, ambas pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). É membro da Sociedade Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (SOGESP), da American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL) e da International Pelvic Pain Society (IPPS).

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