Atrasando o tratamento definitivo: quando, por que e quem?

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Apesar de sabermos que a remoção máxima da endometriose – por meio de cirurgia de excisão (LAPEX) -, é a única forma de erradicar a doença, deixamos claro no blog que não é sempre que a cirurgia é indicada. 

Em mais uma tradução exclusiva, o doutor Robert Albee Jr. lista 5 casos onde há a possibilidade de atrasar o tratamento definitivo da endometriose (LAPEX).

Além da infertilidade, na lista também engloba endomulheres que têm outras doenças, aquelas que fizeram cirurgia anterior, mas que não foi definitiva (LAPEX), entre outros casos. 

Por isso sempre reiteramos a importância de ser acompanhada por quem realmente entende e sabe tratar a doença, especialmente, para aquelas que precisam de cirurgia. Além do mais, o desejo da mulher deve ser sempre respeitado. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Por doutor Robert Albee Jr. 
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

Atrasando o tratamento definitivo: quando, por que e quem?

Poderá ser razoável atrasar o “padrão ouro” (tratamento definitivo)* em alguns casos. Esses incluem:

1. Portadoras que estão sob observação com ou sem supressão:

Portadoras jovens, em particular as que apresentam sintomas sugestivos de endometriose, eu frequentemente as observo por um período de tempo (6 a 18 meses).

Eu posso fazer isso se está sendo possível gerir os sintomas delas com analgésico, e os exames físicos e ultrassom pélvico estão normais e sem ocorrências sutis que sugiram endometriose (essas ocorrências sutis serão debatidas mais adiante). Geralmente suprimo a ovulação com uma dose baixa de contraceptivo oral, se tal for tolerado pela paciente.

Durante o intervalo de tempo da observação, eu pretendo eliminar outras possíveis causas dos sintomas, e monitorizar cuidadosamente as tendências dos níveis de dor, outros sintomas e mudanças nos exames ou ultrassom.

2. Infertilidade:

Embora as taxas de fertilidade aumentem (nos nossos dados) após a “excisão” em portadoras de todos os estágios, exceto grau 1, eu aconselho os médicos a trabalharem em conjunto com “endocrinologistas reprodutivos”, e juntos tomarem a decisão de passar ou não à cirurgia.

Iremos debater a justificativa para adiar a cirurgia em certas portadoras de endometriose com infertilidade em outro texto.

Contudo, é verdade que eu já adiei a “excisão” em portadoras para continuar com um tratamento de infertilidade como teste.

3. Pacientes assintomáticas com endometriose documentada e que estão clinicamente estáveis:

As portadoras com endometriose documentada, mas que estão clinicamente estáveis são candidatas para adiamento da excisão se elas estiverem sendo seguidas por um especialista de endometriose experiente.

Elas devem reportar cuidadosamente quaisquer mudanças nos sintomas, e ter uma consulta de reavaliação a cada 6 meses.

O médico deve buscar ativamente qualquer indicação de que a doença está avançando. Um histórico detalhado e uma análise cuidadosa são importantes para reconhecer os sinais de doença progressiva.

A supressão ovariana é seguramente uma opção para essas portadoras. Portadoras em pós-menopausa (com endometriose confirmada) que são assintomáticas estão nesse grupo, e possuem um risco ligeiramente mais elevado se estiverem recebendo reposição hormonal.

4. Portadoras que fizeram recentemente cirurgia para endometriose e que não foi “definitiva”:

Muitas portadoras são referidas para um especialista de endometriose após uma cirurgia de diagnóstico, ou uma cirurgia que deixou focos para trás. Elas poderão precisar de tempo para avaliar os benefícios da recente cirurgia, ou tempo adicional para planejar uma cirurgia “definitiva” que poderá ter riscos acrescidos.

5. Portadoras com doenças complementares que podem aumentar o risco:

Importante para a tomada de decisão de realizar qualquer procedimento cirúrgico é o fator risco/benefício. A existência de outras doenças e fatores genéticos podem aumentar significativamente os riscos cirúrgicos.

A decisão de evitar ou demorar a cirurgia deve ser feita pela portadora e pelo seu médico após considerar os possíveis acréscimo de riscos devido à presença de doenças complementares.

*Nota da editora: cirurgia com remoção máxima, total dos focos.

Fonte texto: https://topendodoc.com/
Fonte imagem: Deposit Photos/ Caroline Salazar

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