Campanha Nacional de Conscientização contra o Abuso da EndoMulher!

0

Pelo segundo ano consecutivo, o blog A Endometriose e Eu encabeça a “Campanha Nacional contra o Abuso Psicológico e Sexual da Endomulher” com o objetivo de conscientizar à sociedade sobre as dores da endometriose, especialmente, a dor na relação sexual, e evitar os abusos sexual e psicológico das endomulheres.

Neste ano estou lançando a campanha no dia 20 de novembro em alusão aos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher que se inicia nesse dia no Brasil. Dia 25 de novembro é o dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

A endometriose é uma doença que influencia negativamente vários aspectos da vida de uma mulher. A dor é o sintoma predominante da e atinge cerca de 80% das portadoras e ocorre por diversos fatores.

Desde os primórdios da civilização, como mostra os registros nos Papiros de Kahun, da Era Egípcia, a dor no período menstrual é subestimada, dando a entender que é sempre exagero da mulher qualquer dor que a leva às urgências médicas e ou que a faz tomar remédios com base de morfina e mesmo assim não ter alívio.

Nestes momentos é comum a endomulher escutar de pessoas próximas frases como “deixa de ser mole”, “você está com preguiça”, “larga de ser fresca”, “como você é mole para dor”, dentre outras.

O problema é que quem profere essas frases muitas vezes não imagina que está cometendo violência psicológica com a portadora, e que essa violência é tão grave quanto a física e que pode causar danos sérios e até irreversíveis.

A jornalista Mariana Kotscho, apresentadora do programa “Papo de Mãe” e ativista no combate à violência doméstica, alerta sobre as sequelas que essas frases deixam na endomulher.

“Essa violência psicológica deixa marcas profundas na mulher e são tão graves quanto uma violência física. Ela acaba com a autoestima da mulher e a deixa refém da situação, sem apoio, ela se sente absolutamente sozinha e sem saída. Isso é violência doméstica e o homem que faz isso comete um crime. A saída é, em primeiro lugar, perceber que isso é uma violência. É preciso denunciar e sair desta relação. O parceiro, por sua vez, precisa entender que isso é agressão. Normalmente isso se agrava e a separação é necessária”,

É muito fácil falar do outro quando não acontece com a gente. Já é um grande fardo carregar tudo que a endometriose nos traz, mas não ter apoio torna o fardo ainda mais doloroso.

Eu sei que a maioria das pessoas que fala essas frases não sabe que está praticando violência psicológica, e foi por isso que criamos essa campanha. Precisamos falar mais sobre esse tipo de violência que muitas endomulheres passam diariamente.

Além da violência psicológica, muitas portadoras vivenciam também a violência sexual. Muitas vezes isso acontece pelo fato de o companheiro desconhecer que a dor na relação sexual é um sintoma da doença.

A dispareunia é um sintoma comum da endometriose, mas também muito incompreendido. Se a cólica forte até hoje não é compreendida, imagine a dor durante e ou após o sexo?

Um estudo brasileiro Bispo, et al (2016) realizado na Unifesp – Universidade Estadual de São Paulo – com 52 mulheres com endometriose profunda comprovou 55,3% mais da metade tinha dispareunia profunda, quando comparado ao grupo que não havia a doença.

“A dispareunia de profundidade ocorre por causa da distensão e inflamação de tecidos pélvicos, como pressão exercida em ovários, ligamentos úterossacros ou região retrocervical afetados pela doença. Durante a relação sexual, o contato do pênis com essas estruturas, podem desencadear a dor, podendo perdurar até depois da relação, chamada de dispareunia tardia”, explica a fisioterapeuta doutora Ana Paula Bispo, autora da pesquisa.

Esse estudo publicado na revista científica Arch Gynecol Obstet também avaliou o assoalho pélvico dessas mulheres e foi constatado espasmo muscular em 53,9% dessas mulheres, o que pode justificar a causa da dor.

Além de disseminar e mostrar que a dor durante e ou após o sexo é um problema real e sério como a endometriose, outro objetivo da campanha é tirar o tabu de falar abertamente sobre esse sintoma e dizer que a dispareunia tem tratamento e cura.

“O objetivo principal do tratamento é a normalização do tônus muscular, aumento da consciência e propriocepção da musculatura do assoalho pélvico e dessensibilização dos pontos dolorosos na vagina”, esclarece a fisioterapeuta, especialista em reabilitação do assoalho pélvico.

Sei que o tratamento não é fácil, por isso é muito importante se informar e conversar com o (a) parceiro (a). Se você tiver apoio dele (a), chame-o (a) para se informar com você. Caso não tenha ainda esse apoio, converse com ele (a), explique sobre a dor e chame-o (a) para ir à consulta ou à sessão de fisioterapia.

“Informar, com qualidade e credibilidade, é fundamental para quebrar preconceitos e conscientizar as pessoas dos seus direitos. Uma mulher bem informada sobre isso saberá o que fazer. E o homem bem informado, também: deve aprender como tratar uma mulher com amor e carinho, entender quando ela precisa de ajuda, entender que um relacionamento precisa ter compreensão”, diz a jornalista e ativista Mariana Kotscho, que tem um grupo de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica.

De acordo com o 14ª edição do Anuário de Segurança Pública, a  cada 8 minutos, uma mulher é abusada sexualmente. Não deixe ninguém te forçar ao sexo.

O diálogo é extremamente necessário em qualquer relação, principalmente entre um casal. A mulher precisa falar o que sente e o parceiro precisa escutar e compreender.

Para o (a) parceiro (a), eu falo: procure conhecer mais sobre a doença e apoie sua companheira. Afinal, se fosse com sua irmã, você aceitaria ela ser abusada por seu próprio companheiro? Pense nisso!

Para as mulheres, meu conselho é: converse, busque apoio e, mesmo se não conseguir, nunca seja obrigada a fazer algo que você não deseja. Você é a única dona do seu corpo e não deixe ninguém abusar dele. Beijo carinhoso!

Deixe seu comentário