“Com a Palavra, o Especialista”, Doutor Tomyo Arazawa!

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Endometriose pode virar câncer de ovário? Essa dúvida é uma pergunta recorrente entre as portadoras, já que as duas doenças podem ter alguns sintomas parecidos, tais como: dor pélvica, dor ao urinar e dor na relação sexual, inchaço abdominal, náusea, prisão de ventre e ou diarreia, fadiga, entre outros.

Apesar de o exame CA 125 ser muito usado para detectar a endometriose, esse marcador tumoral foi desenvolvido para identificar alguns tipos de cânceres. Por isso a sigla CA para designar o exame. A leitora pergunta se quem tem o CA mais elevado, pode ter mais chance de desenvolver esse tipo de câncer?

Segundo o doutor David Redwine, esse exame de sangue pouco ou nada tem a ver com a certeza se a mulher tem ou não a doença. Por isso em seus 35 anos de prática clínica, ele não pedia esse exame de sangue para diagnosticar endometriose.

A incidência de câncer de ovário nas endomulheres é baixa, e isso não quer dizer que toda portadora desenvolverá câncer de ovário. Por isso, mais uma vez, reiteramos a importância de ter acompanhada por um médico que realmente entende da doença.

Já a outra dúvida é sobre endometriose no diafragma. A leitora quer saber como a mulher pode suspeitar que tem a doença nesta região? Além da dor no ombro durante o período menstrual, há outro sintoma relacionado à doença? Quais exames detectam esse tipo de endometriose?

Em “Com a Palavra, o Especialista”, o doutor Tomyo Arazawa esclarece essas dúvidas. Compartilhe mais um texto exclusivo A Endometriose e Eu e ajude-nos a levar uma nova conscientização da endometriose. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Atenção: Esta coluna existe para tirar sua dúvida e para que você vá mais informada na sua próxima consulta. Porém, ela não substitui sua consulta médica, e, em hipótese nenhuma, tratamos de casos específicos nesta seção.

– As mulheres que têm o CA mais elevado podem ter maior tendência para desenvolver câncer de ovário? Ana Caroline Rios – Uberlândia, Minas Gerais

Doutor Tomyo Arazawa: Olá Ana! O nível do CA 125 em mulheres com endometriose não está associado a aumento de risco de desenvolver câncer de ovário. Pelo menos não é o que os dados médicos científicos nos mostram.

A correlação do câncer de ovário com endometriose ainda é baixa, e a grande maioria das pacientes com endometriose não terão câncer de ovário. Por isso a decisão de operar ou não um quadro de endometriose não é tomada pelo risco de câncer, mas sim pelos sintomas e quadro clínico da paciente.

É importante lembrar que o CA 125 alto não faz diagnóstico de endometriose. Ele colabora com uma suspeita diagnóstica quando a paciente tem sintomas sugestivos de endometriose, assim como achados de exames de imagem, como o mapeamento para endometriose.

E um resultado normal desse marcador também não exclui a suspeita de endometriose, pois muitas paciente com endometriose avançada tem esse exame normal.

– Doutor como saber se tenho endometriose no diafragma? Sinto muita dor no ombro durante o período menstrual. Francine Santos – São Paulo, SP

Doutor Tomyo Arazawa: Olá, Francine! Os principais exames de mapeamento para endometriose, como a ultrassonografia de abdômen e a Ressonância Magnética de abdômen (com foco no diafragma) podem ajudar, especialmente se as lesões forem maiores.

Mas nessa região os exames de mapeamento não são tão sensíveis e específicos quanto na pelve. Geralmente quem tem endometriose diafragmática também tem endometriose profunda e avançada na pelve.

Portanto se já houver evidências de endometriose pélvica avançada, somado aos seus sintomas de dor no período menstrual no ombro direito, a possibilidade de ter endometriose no diafragma, principalmente do lado direito, onde ficam 95% das lesões, é bem maior. Em algumas pacientes, o diagnóstico acaba sendo durante a laparoscopia.

Sobre o doutor Tomyo Arazawa:

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), doutor Tomyo Arazawa fez sua Residência Médica e especialização em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Foi o Preceptor de Ginecologia da FMUSP e se especializou em cirurgias minimamente invasivas (Endoscopia Ginecológica) também no Hospital das Clínicas da FMUSP, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas.

Tem título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e em Endoscopia Ginecológica, ambas pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). É membro da Sociedade Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (SOGESP), da American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL) e da International Pelvic Pain Society (IPPS).

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