“Com a Palavra, o Especialista”, Doutor Tomyo Arazawa!

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Além da endometriose, as infecções pélvicas também podem provocar a infertilidade feminina dificultando a gravidez natural. Entre elas está a hidrossalpinge, acúmulo de líquido nas trompas, um assunto que gera muitas dúvidas entre as leitoras. 

Aproveitando nossa série especial sobre Junho – Mês Mundial de Conscientização da Infertilidade -, na segunda parte da coluna “Com a Palavra, o Especialista”,  o doutor Tomyo Arazawa explica o que é, qual a relação com a endometriose e o tratamento da hidrossalpinge. 

A outra dúvida é sobre endometriose nos rins. A filha de 16 anos da leitora está com suspeita de endometriose nos rins e ela quer saber se for confirmada a doença neste órgão se é cirúrgico.  Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Atenção: Esta coluna existe para tirar sua dúvida e para que você vá mais informada na sua próxima consulta. Porém, ela não substitui sua consulta médica, e, em hipótese nenhuma, tratamos de casos específicos nesta seção.

– Doutor fale um pouco sobre a hidrossalpinge e sua relação com a endometriose. O exame que detecta é 100% confiável? Qual o tratamento? Renata Bertassoni Brandão – Macaé, Rio de Janeiro

Doutor Tomyo Arazawa: Olá Renata! A hidrossalpinge é uma inflamação crônica das tubas uterinas, geralmente causada por obstrução das tubas tanto na entrada quanto na saída.

Uma das principais causas é a infecção genital por bactérias sexualmente transmissíveis. A endometriose é outra causa importante, quando descartada alguma infecção.

Os exames de imagem costumam ser bem eficazes para detectar a hidrossalpinge (ou hematossalpinge), pois as tubas só costumam ser vistas nos exames quando está dilatada e doente.

O tratamento geralmente é cirúrgico, e pode ser por tentativa de “consertar” a tuba uterina, com um procedimento chamado neossalpingostomia. Mas esse procedimento nem sempre resolve em definitivo o problema, com risco maior de recorrência.

O tratamento mais realizado é a retirada da tuba uterina. Isso porque nesses casos associados com endometriose, a tuba pode estar comprometida pela doença.

Considerando o fator fertilidade, a retirada da tuba também melhora taxas de sucesso da fertilização in vitro. Essa é uma decisão a ser tomada com o ginecologista especialista, e, no caso de infertilidade, conversado com uma equipe especializada em medicina reprodutiva, para ajudar na tomada de decisão.

 – Minha filha tem 16 anos e está com suspeita de endometriose nos rins. Todo período menstrual, ela tem infecção nos rins, o CA deu alterado e agora ela vai fazer o mapeamento. Se confirmado, quando a doença atinge esse órgão é cirúrgico? Adrielle Dias – Guarulhos, São Paulo

Doutor Tomyo Arazawa: Olá Adrielle! Endometriose nos rins propriamente dita é menos frequente. É muito mais frequente endometriose de ureter (canal que leva a urina dos rins à bexiga), e endometriose de bexiga.

Todos eles podem estar associados a infecção urinária. Mas mesmo pacientes sem endometriose de vias urinárias podem ter mais infecção de urina, mesmo nos rins, especialmente se a imunidade estiver muito baixa.

Se for constatada a doença em algum desses órgãos, existe uma alta probabilidade de ter outras lesões de endometriose profunda na pelve. Geralmente o tratamento nessas situações é cirúrgico sim.

Mas antes é fundamental investigar a fundo e descartar outras causas de infecção urinária de repetição, e mapear adequadamente o quadro de endometriose.

Além disso, adequar o estilo de vida e a imunidade têm papel importantíssimo para o controlar os sintomas da endometriose e as infecções urinárias.

Sobre o doutor Tomyo Arazawa:

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), doutor Tomyo Arazawa fez sua Residência Médica e especialização em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Foi o Preceptor de Ginecologia da FMUSP e se especializou em cirurgias minimamente invasivas (Endoscopia Ginecológica) também no Hospital das Clínicas da FMUSP, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas.

Tem título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e em Endoscopia Ginecológica, ambas pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). É membro da Sociedade Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (SOGESP), da American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL) e da International Pelvic Pain Society (IPPS).

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