EndoMulheres protestam por melhor conduta para endometriose nos EUA!

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Por Caroline Salazar
Edição: doutor Alysson Zanatta

Nos últimos dias 05 e 06 de abril foi realizado em Washington D.C., nos Estados Unidos, a manifestação “Pacientes com endometriose protestam contra a ACOG” (American College of Obstetricians and Gynecologists – Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras). Nos Estados Unidos são comuns as pessoas se unirem contra algo que não está funcionando.

O protesto encabeçado pela assistente social Casey Berna e por Heather Guidone, à frente do Endometriosis Research Center – que me homenageou como a “Endo Angel” em 2012, – foi em frente à sede do American College of Obstetricians and Gynecologists para pedir que a maior associação de ginecologistas do mundo comece a tratar a “crise da endometriose”.

O que seria essa “crise da endometriose”? Vários países do mundo seguem as regras americanas. Por isso as pacientes exigem que a associação atualize suas diretrizes e coloque em sua cartilha a excisão como padrão ouro de tratamento para a endometriose e que os médicos parem de deixar as mulheres, especialmente àquelas que eles sabem que precisam ser operadas, com hormônios desnecessários.

“Diretrizes mais rígidas, pacientes diagnosticados mais precocemente e pacientes com tratamento muito mais rápido. Com isso elas não terão de se submeterem a 5, 10 ou 15 cirurgias e ainda serem colocadas a terapias hormonais inúteis”, explicou Heather Guidone, coorganizadora da manifestação ao site Med Page Today.

De acordo com as ativistas americanas, as pacientes veem uma média de oito médicos ao longo de 10 anos antes do diagnóstico.

Devido à falta de educação adequada e de treinamento entre os cerca de 58 mil ginecologistas e obstetras nos EUA, as endomulheres são regularmente informadas de que os sintomas estão “em sua cabeça” ou que suas dores “são normais”, que a gravidez e a histerectomia curam a doença e que os medicamentos hormonais tratam efetivamente a endometriose.

“Por muito tempo, pacientes, defensores e especialistas em endometriose foram ao ACOG e disseram a eles que há um grande problema na maneira como os ginecologistas tratam a endometriose”, disse Casey Berna, outra coorganizadora.

“Como assistente social, e pelo que descobri como paciente o que experimentei anos atrás, não mudou muito na abordagem da endometriose e isso está causando muito sofrimento às pacientes”, emendou Casey, que já teve dois textos seus publicados aqui no blog.

Vale lembrar que a última atualização das diretrizes da ACOG sobre endometriose foi em 2010, e reafirmadas em 2016. Ou seja, as regras estão bem antigas mesmo e precisam ser revisadas.

As organizadoras do protesto estão trabalhando junto com a ACOG para tentar resolver alguns desses problemas. Dos mais de 50 mil ginecologistas nos EUA, apenas 125 a 150 são especialistas em endometriose, segundo dados das ativistas.

Quem não pôde comparecer pessoalmente participou do protesto online. Mais de 8 mil assinaturas foram recolhidas no abaixo-assinado e levadas a ACOG reforçando as reinvindicações. 

Além disso, também para reivindicar mais pesquisas e tratamento efetivo para a endometriose, semanas antes da data do protesto pacientes lotaram as redes socais com a campanha #wematteracog #176million1voice.

Logo após o protesto, o presidente da ACOG, Hall Lawrence, se manifestou na fanpage da associação no facebook: “O ACOG reconhece que as vozes e a defesa das pacientes são uma parte importante para garantir que estamos atendendo ao alto padrão de tratamento para endometriose e agradecemos todo o trabalho que as pacientes estão fazendo para avançar nessa importante causa.”

Lutar por diagnóstico precoce e tratamento efetivo para a endometriose também são duas das premissas da EndoMarcha, não à toa um evento também criado nos Estados Unidos. Nesse país, são comuns as pessoas se unirem contra algo que não está funcionando.

O país mostra, mais uma vez, como a união de pacientes pressiona e reivindica seus direitos. O protesto é um ato legítimo, legal e é um direito constitucional que qualquer ser humano tem.

Nós, no Brasil, precisamos levar esse ato a sério. Não é só protestar por 20 centavos não, gente. Aliás, cadê a mulherada que estava nesses protestos por 20 centavos? Se 1 em 10 tem endometriose, com certeza muitas que estavam lá em 2013 eram portadoras de endometriose.

Pense nisso e comece a se mexer. Te convido a marchar conosco na EndoMarcha 2019 e, se ainda não tem em sua cidade, que tal ser coordenadora? Em breve divulgaremos a data. Beijo carinhoso!

Nota do editor: É muito positiva a mobilização de portadoras de endometriose em busca de conscientização e tratamentos mais efetivos. Nós, médicos, temos que estar atentos às necessidades das pacientes, e buscarmos sempre oferecer o que há de melhor para tratar tal doença que apresenta tamanhos desafios.
A endometriose ainda é uma doença de tratamento cirúrgico (apesar que nem todas as portadora precisarão de cirurgia), já que não existe qualquer medicação capaz de erradicar a doença. Infelizmente a cirurgia pode não ser reprodutível, ou seja, diferentes médicos operam de diferentes maneiras.
Nosso desafio é torná-la mais reprodutível, de forma que mais médicos possam realizá-la da forma correta e assim levarmos o tratamento a um maior número de portadoras ao redor do mundo.

Fonte imagem: We Matter ACOG
Fonte texto: Med Page Today

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