O impacto da endometriose na vida profissional e na perda da produtividade de uma endomulher!

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Por Caroline Salazar

Edição: doutor Alysson Zanatta

Uma em cada 10 mulheres tem endometriose. Cerca de 80% delas sofrem com as fortes dores.

Apesar do dado alarmante e tendo a cólica menstrual progressiva como um dos sintomas, a média mundial de diagnóstico ainda é muito demorada: sete a 12 anos.

Para aquelas que padecem com as dores severas da doença, o tempo de espera para se obter o diagnóstico impacta muito em sua qualidade de vida, deixando muitas vezes a vida da portadora de ponta cabeça.

A endometriose é uma doença que afeta todas as áreas da vida de uma endomulher.

Hoje vamos falar do impacto que a doença acarreta no trabalho, na vida profissional de uma portadora. Quem não vislumbra construir uma trajetória profissional de sucesso? Acho que todo mundo, não?

Por que uma portadora de endometriose também não se encaixaria neste perfil? Faço esta pergunta pelo fato de sempre alguém taxar a portadora de preguiçosa, por exemplo.

Infelizmente a dor da endometriose independe do grau da doença. Algumas mulheres têm lesões menores e sentem mais dor, enquanto outras têm lesões maiores e quase não sentem dores ou simplesmente não têm dor.

E não há explicação científica para tal fato. As dores da doença podem variar de mulher para mulher, mas as mais comuns são: cólica menstrual progressiva que aumenta com o passar dos meses, dor na lombar, nas pernas, ao evacuar, ao urinar…

Fato é que qualquer pessoa com dor não funciona muito bem, imagine aquela dor chata, que em muitos casos não melhora nem com morfina?

Pois é, porque além da dor da doença há também a dor das aderências, muitas portadoras têm fibromialgia ou outras doenças.

Gente, a dor é tão forte, mas tão forte que hoje relembrando me dá até arrepios. Juro que escrevendo este texto senti por um segundo aquelas pontadas horrorosas que não passavam nem por um minuto mesmo à base de remédios derivados de opioides. 

A endometriose é uma doença que deve ser reconhecida como social por justamente desestruturar toda a vida de uma mulher. Porém não é apenas o governo que precisa reconhecer a doença, ela tem de ser valorizada também pelos empregadores e por toda sociedade civil.

Você sabia que a endometriose é a principal causa de absenteísmo e diminuição da produtividade? Eu me lembro bem dos meus dias de dores na redação.

Chegou a um ponto que meu abdômen inchava muito (parecia que estava grávida) e minhas pernas doíam tanto que sempre eu tinha de desabotoar o botão da calça e colocar minhas pernas para cima.

endometriose na vida profissional

E como pode haver concentração com essas dores? Meu trabalho é com meu cérebro, tinha de escrever várias matérias por dia, era impossível ter o mesmo rendimento com a dor martelando meu abdômen. 

Mesmo eu morrendo de dor eu continuava lá, pois o pior era quando a crise ocorria quando eu estava em eventos. Muitas mulheres não conseguem desempenhar suas funções por conta das fortes dores.

O impacto da endometriose versus a vida profissional foi constatado no primeiro estudo mundial que mostra o custo real e o impacto causado pela doença na vida de uma portadora (já traduzido no blog em 2012): oEndoCost.

De acordo com o estudo aquelas que sofrem com as dores severas perdem 11 horas semanais de trabalho. Outro dado mostra que 38% das mulheres com endometriose têm maior perda de sua produtividade em relação às sem a doença.

Essa perda é duas vezes maior entre as portadoras. Os números são realmente muito altos. Se tivéssemos o diagnóstico precoce, a mulher não perderia os melhores anos de sua vida por conta desta terrível doença, e talvez os números fossem outros. 

Confesso que fiquei um tempão pensando em como tentar mudar esses dados.

Há três anos comecei a dar palestras de conscientização nas empresas para espalhar cada vez mais informação correta sobre a doença, mas principalmente para propagar os sintomas da doença e a palavra endometriose.

A endometriose é uma doença que afeta toda a sociedade e que merece mais atenção em todos os âmbitos. Principalmente no Brasil, pois desde 2010 o Censo indica que há mais mulheres que homens no país.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios divulgada pelo IBGE em 2014 as mulheres já somam 6,3 milhões a mais que os homens. Destas quase 40% sustentam suas casas.

Entendeu porque a doença não pode mais ser ignorada?

Mas isso será assunto para outro post. Beijo carinhoso!  

Fonte imagem: Pixabay

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