Setembro Amarelo: Mês de Conscientização e Prevenção do Suicídio!

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Por Caroline Salazar
Edição: Nathália Veras

Desde 2017, o A Endometriose e Eu dedica o primeiro texto do mês de setembro para conscientizar sobre o “Setembro Amarelo”. Sabe por quê? A cada 40 segundos uma pessoa se suicida em algum lugar do planeta.

O mês foi escolhido para chamar atenção para a prevenção do suicídio, pois desde 2003, o dia 10 é conhecido como “O Dia Mundial do Suicídio”.

Falar de endometriose e não falar de prevenção à vida é dar um tiro no próprio pé, pois apesar de ainda não existir artigos e estudos sobre o tema em português (em comparação ao vasto material em inglês) é sabido que muitas endomulheres tiram suas próprias vidas.

Eu falo sobre o assunto com propriedade, pois eu fui uma das milhares de endomulheres que pensava sim em morrer. Apesar de nunca ter tentado contra minha própria vida, eu tinha alguns pensamentos suicidas, como, por exemplo, quando saia de casa pedia para Deus mandar algum carro para me atropelar.

Durante muitos e muitos anos pedia para Deus me levar embora, pois eu sentia muita dor, passava maior parte dos dias numa cama e, como ainda não tinha diagnóstico, não tinha a compreensão que precisava.

Assim como eu, muitas endomulheres compartilham desses pensamentos. Por isso é de extrema importância conscientizar sobre o suicídio nas comunidades de endometriose, pois é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade.

Outro dado preocupante é que nos últimos 9 anos houve um aumento de 24% de suicidas entre adolescentes – de 2005 a 2016 -, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados em setembro de 2018.

Cerca de 800 mil pessoas tiram suas próprias vidas anualmente. A cada 100 mil habitantes 11,5 se matam. De acordo com o MS, em 2016 foram registrados 11.433 casos no Brasil, um aumento de 2,3% em relação a 2015 que foi 11.178.

E o que mais me assustou foi o aumento de mulheres que tiraram suas próprias vidas por intoxicação: 70%. Eu me preocupo muito em apoiar e acolher as endomulheres, pois sei que muitas delas se suicidam por falta de apoio, de escuta, de carinho, de acolhimento.

Eu sei que Deus permitiu que eu vivenciasse todas essas fases da endometriose – as fases mais difíceis da minha vida – justamente para eu acolher todas as endomulheres sem julgamentos.

Ouvir que a dor é normal, que é psicológica, inventada, aumentada, entre outras coisas, a ausência de diagnóstico ou o diagnóstico tardio e os tratamentos errados fazem com que muitas mulheres percam a esperança e a vontade de viver.

Além do diagnóstico tardio, a falta de apoio e de carinho por parte das pessoas mais próximas deixam muitas portadoras vulneráveis à tentativa de suicídio.

A depressão está crescendo entre as mulheres com ou sem diagnóstico. Um dos casos mais tristes que tenho na minha memória foi o suicídio de uma menina de 15 anos no interior do Rio.

Uma menina e ainda com tanta vida pela frente tirou sua própria vida porque não tinha médico em sua cidade que entendesse da doença, porque ela não tinha apoio da família e não conseguia ir à escola por conta das dores.

Lembro-me até hoje quando recebi e depois vi a notícia num grupo de rede social. É esse um dos casos que retrato nas minhas palestras de endometriose desde 2014, pois esse tema também é questão de saúde pública, ainda mais porque a taxa de mortalidade no Brasil subiu 18%. O Brasil é o 8º país do mundo na taxa de suicídio.

Em 2016, a cada 100 mil habitantes 5,8 tiraram suas próprias vidas, já em 2017, esse número era de 4,9. O assunto ainda é tabu em muitas sociedades e ainda hoje considerado crime alguns países, como a Cingapura.

Um dado que ainda não existe em nenhum país do mundo é a tentativa de suicídio. A estimativa é que a cada uma pessoa que consegue se matar, outras 20 tentaram sem sucesso.

Por isso é extremamente importante a compilação desse dado para que haja a prevenção daquela vida já na primeira tentativa e, assim, essa pessoa teria a chance de não tentar outra vez.

Esse tema é bem delicado e o aumento dos jovens entre os suicidas me deixa muito preocupada, especialmente porque sabemos que a endometriose não atinge a mulher apenas numa determinada faixa etária.

O diagnóstico de endometriose em adolescentes vem crescendo muito, principalmente nas filhas das portadoras. Muitas mães que sofreram durante toda sua vida, já estão vendo os sintomas nas suas filhas e já estão conseguindo tratamento médico mais cedo.

Afinal, uma menina/ mulher que tem parente de 1º grau com a doença tem 7 vezes mais chances, ou seja, 70% a mais de ter endometriose do que aquela que não tem.

Contudo o diagnóstico ainda continua tardio para a maioria das endomulheres. Felizmente, a mesma mudança que observo por conta da atenção da mãe-portadora para com sua filha, pode ser estendida aos demais casos. E é justamente isso que falo com as leitoras que já são mães: prestem atenção em suas filhas.

Prestem atenção nos sintomas que suas filhas apresentam em todo o fluxo menstrual, e não apenas durante a menstruação. Prestem atenção em seu humor, em seus amigos, em suas notas. Participem de suas vidas.

Em 2019, pelo segundo ano consecutivo, o tema do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é “Trabalhando Junto para Prevenir o Suicídio”. E não é à toa! O suicídio pode ser prevenido.

Geralmente, os suicidas dão sinais de que irão tentar contra sua própria vida e é justamente esses sinais que temos de ficar em alerta. Dentre os sinais estão as seguintes frases, de acordo com a OMS:

– “Essa é a última vez que você me vê”;
– “Eu preferia estar morto (a)”;
– “Eu não aguento mais”;
– “Eu não posso fazer nada”;
– “Eu sou um empecilho e um peso para todos”;
– “Os outros serão mais felizes sem mim”;
– “Sou um estorvo e não presto para nada”.

Nós, portadoras, também temos as “nossas frases”, e alguns de nossos pensamentos suicidas são:

– “Não aguento mais essa vida”;
– “Quero sumir”;
– “Não aguento mais sofrer”;
– Queria nunca ter nascido”;
– “Preferia não existir”;
“Não quero ser um estorvo na vida de ninguém”;
– “Estou cansada de viver”.

Se as frases forem mais diretas e falarem de suicídio, não ignore. Não é verdade a crença popular que quem a ameaça suicídio não faz.

É importante observar também a alteração de humor, de sono, peso e se sua filha tem tendência à depressão. Depressão não é frescura e não é coisa de quem não tem nada para fazer. É uma doença séria e que leva milhares de pessoas a se matarem. E, infelizmente, portadoras de endometriose tem maiores probabilidades de terem depressão (linkar).

Se sua filha, alguém que você conhece ou você mesmo possui esses pensamentos ou outros que te levem a pensar que a vida não vale a pena, procure ajuda.

Quando o desespero bate é importante falar com alguém que acolhe sua dor sem julgar. Desde 2018, as ligações para o Centro de Valorização à Vida (CVV) são gratuitas no número 188 e podem ser feitas 24 horas por dia.

Você vale muito, sua vida vale muito. Se você for uma endomulher e não tem com quem conversar entre no nosso grupo do facebook que você e sua dor serão acolhidas com muito amor e carinho. Beijo carinhoso!

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