Sugestão do doutor Albee Jr. para o plano de tratamento da endometriose!

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Numa série de textos, o doutor Robert Albee Jr. usa de sua vasta experiência como cirurgião excisista e provoca um grande debate para que alguns conceitos ainda pouco compreendidos da endometriose sejam melhor entendidos. 

Um assunto que o deixa intrigado é: se a excisão é o único meio de tratamento definitivo, por que a maioria dos cirurgiões não usam essa técnica?

No primeiro texto da série, o médico americano fez um grande debate sobre tratamentos, quais são definitivos e quais não são?

No segundo texto, o doutor Albee explica sobre o plano de tratamento que segue com algumas de suas pacientes, reitera a importância do tratamento definitivo listando seus principais benefícios, e fala como um cirurgião pode ter baixa taxa de recorrência da doença. 

Compartilhe mais um texto exclusivo do blog A Endometriose e Eu e ajude-nos a salvar vidas e a levar uma nova conscientização da endometriose. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Por doutor Robert Albee Jr.
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

A minha sugestão para o plano de tratamento

 

Na maioria dos casos, sou a favor de tratar as pacientes com endometrioses de forma definitiva (listarei as exceções a essa recomendação num outro texto).

Isso significa que eu recomendo que toda a endometriose seja completamente excisada e retirada do corpo. Até hoje, essa é a única forma que eu conheço que isso seja possível: por meio da cirurgia excisista.

Embora eu recomende que isso seja feito por meio da laparoscopia (usando pequenas incisões no umbigo e nas laterais para inserção dos instrumentos cirúrgicos), esse tratamento também pode ser feito por laparotomia (incisão aberta).

A escolha da fonte de energia usada para excisão deve ser deixada a cargo do cirurgião, de acordo com sua experiência e confiança, mas eu uso laser de dióxido de carbono (o motivo eu identificarei em outro post).

Existe um aspeto crítico da excisão completa da doença, que é frequentemente descurado por cirurgiões.

Focos sutis de “endometriose” podem se esconder no peritôneo com aspeto atípico, mas que não apresenta uma das clássicas” aparências da endometriose.

Para se conseguirem baixas taxas de recorrência, os cirurgiões não devem deixar nenhuma doença para trás. Isso significa que o cirurgião deve estar determinado em remover o peritônio atípico/anômalo mesmo quando não possui a aparência clássica.

Tratamento definitivo: na minha experiência é a forma mais eficaz de tratamento porque:

  • Resulta no maior intervalo de tempo antes de a portadora necessitar de um novo tratamento. Nossos dados indicam que entre 80 a 85% das nossas pacientes estão atualmente livres de qualquer indicação clínica de recorrência de endometriose;
  • Resulta em uma melhoria significativa na “qualidade de vida” e na redução da dor registrados em acompanhamento pós-operatório;
  • As taxas de fertilidade melhoram nos graus 2, 3 e 4 após excisão.

O fardo emocional de escutar que a portadora tem uma doença incurável é enorme. Eu não falo para as portadoras que vou curá-las, pois os focos poderão crescer em outro local.

Mas digo que se elas tiverem mais endometriose, serão a exceção e não a regra (entenda-se que nem toda dor pélvica resulta da endometrioses, pois frequentemente existem outras doenças que também precisam ser tratadas).

Note as taxas que indiquei acima de portadoras clinicamente livres da doença após excisão.

Em postagens futuras, irei debater as objeções correntes ao tratamento definitivo, e as razões que eu sinto serem mais frenquentemente usadas para a sua não-adoção.

Mas no próximo texto, vamos falar sobre “quando eu não recomendo o tratamento definitivo”.

Fonte texto: https://topendodoc.com/
Fonte imagem: Deposit Photos/ Caroline Salazar

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