Setembro Amarelo: Como surgiu o movimento no mundo e por que amarelo?

0

Desde 2003, o dia 10 de setembro é conhecido como o “Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio”. E foi por causa desse dia que o mês ganhou não só uma cor especial, o amarelo – coincidentemente, a mesma da endometriose –, mas um apelo muito valioso: sua vida vale muito.

O Setembro Amarelo tem o objetivo de levar abertamente à sociedade a discussão sobre o suicídio e a importância de sua prevenção, pois sabemos que há ainda muito preconceito quando se fala no tema.

Mas você sabe por que a cor amarela e como esse movimento começou?

O Setembro Amarelo teve início nos Estados Unidos quando o casal Dale e Darlene Emme começou uma ação de prevenção ao suicídio logo após o filho, Mike, se matar aos 17 anos em 1994.

Para isso, começaram a usar uma fita amarela, cor do Mustang 68 restaurado pelo filho e uma de suas grandes paixões. No funeral de Mike foi distribuído 500 cartões com fitas amarelas com a mensagem: “Se você precisar, peça ajuda”.

Em poucos dias esses cartões já estavam por toda parte dos Estados Unidos e com muitos pedidos de ajuda, especialmente, de jovens. Cada vez mais essa conscientização e discussão sobre o tema se mostram importantes e, infelizmente, os jovens estão sendo as maiores vítimas.

Assim como no Março Amarelo a iniciativa de conscientizar, de fazer algo para o próximo surge da sociedade civil, ou seja, do meu, do seu, do nosso trabalho. Nós representamos a força maior para mudar qualquer cenário.

De 2005 a 2016 o índice de suicídio entre os adolescentes aumentou 24%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados em setembro de 2018.

É a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos, por isso a importância de falar sobre o tema nas comunidades de endometriose.

Além do preconceito, há ainda mitos e muito tabu sobre o assunto. Há quem pense que falar em suicídio é algo ruim, que podemos dar corda para que mais pessoas cometam o ato, mas toda informação real e verídica de conscientização certamente salva vidas.

E, de acordo com OMS, 90% dos suicídios podem ser evitados, uma vez que a pessoa, geralmente, dá um alerta antes de tentar contra sua própria vida. Falamos sobre isso no nosso texto do Setembro Amarelo de 2019 e citamos as frases-alertas da OMS.

Cerca de 60% dos suicidas procuram ajuda antes de se matarem. Por isso quando falamos em prevenção ao suicídio a principal mensagem no meu ponto de vista é conscientizar para poupar vidas.

Os dados gerais são alarmantes: cerca de 800 mil pessoas tiram suas próprias vidas anualmente. Ou seja, a cada 100 mil habitantes 11,5 se matam. É um suicídio a cada 40 segundos! Um dado muito alto!

De acordo com o Ministério da Saúde só em 2016 foram registrados 11.433 casos no Brasil, um aumento de 2,3% em relação a 2015 que foi 11.178. E o mais preocupante é o aumento desse índice entre os jovens.

Com certeza em 2020 esse dado será muito maior em razão da pandemia do Covid-19. Segundo a ONU, vários estudos têm demonstrado o aumento dos sintomas de doenças como a depressão, situação que é agravada pela interrupção de serviços de saúde. Acesse o estudo original aqui.

Muito disso se deve ao machismo estrutural na Índia, o que também se repete no Brasil, que atribui em regra às mulheres os afazeres domésticos, inclusive os cuidados com as crianças.

Diante do homeschooling (estudo em casa) pela interrupção das aulas presenciais nas escolas, não é de se surpreender que as mulheres se sintam estressadas.

A ONU afirma ainda que alguns grupos são mais preocupantes e, dentre eles, as mulheres. Em um estudo na Índia, durante a pandemia, 66% das mulheres reportaram estarem estressadas, enquanto nos homens esse índice era de 34%.

Outro dado que chama atenção foi o aumento de mulheres que tiraram suas próprias vidas por intoxicação: 70%. Sabemos que é muito alto o número de endomulheres que usam remédios fortes como morfina, codeína, tramal para tentar conter as dores.

Infelizmente ainda não há pesquisas no Brasil sobre endometriose e suicídio. Como ativista e uma pessoa sempre atenta à escuta das minhas leitoras e seguidoras, eu sei que esse número é muito alto.

Eu me preocupo muito em apoiar e acolher as endomulheres, pois sei que muitas delas se suicidam por falta de apoio, de escuta, de carinho e de acolhimento.

Também há pouquíssimas pesquisas sobre o tema no mundo. Mas uma pesquisa realizada em 2016 entre os membros da organização Endometriosis UK comprovou que 25% das mulheres entrevistadas já pensaram em suicídio.

Porém, é sabido que o diagnóstico tardio, as falhas de tratamento, especialmente, as cirurgias incompletas levam muitas endomulheres à depressão e, aquelas que já estão, tudo isso é, infelizmente, esses fatores as empurram para mais um passo a mais para dar rumo a esse precipício.

Há também os mitos e rótulos que colocam na endometriose e que deixam a endomulher muito mais vulnerável à depressão e, consequentemente, às tentativas de suicídio. Todas as falácias propagadas sobre a doença levam suas portadoras para esse abismo.

É muito fácil julgar, falar que a dor é psicológica, que abriu a paciente e que não encontrou nada, que é tudo frescura ou simplesmente que ela é mentirosa. Claro é muito fácil falar quando não estamos na pele de quem está sofrendo.

Tudo isso são desculpas de quem não trata a endometriose efetivamente. E as endomulheres não podem mais se sujeitarem a escutar essas falácias que acabam com as vidas de milhares de endomulheres no Brasil e no mundo.

Quando o desespero bate é importante falar com alguém que acolhe sua dor sem julgar. Desde 2018, as ligações para o Centro de Valorização à Vida (CVV) são gratuitas no número 188 e podem ser feitas 24 horas por dia.

Você vale muito, sua vida vale muito. Se você for uma endomulher e não tem com quem conversar aqui no A Endometriose e Eu você e sua dor serão acolhidas com muito amor e carinho. Beijo carinhoso!

Fontes: OMS, Ministério da Saúde, Setembro Amarelo e CVV

Deixe seu comentário