9 anos de A Endometriose e Eu! Obrigada pela audiência e confiança!

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Por Caroline Salazar
Edição: Nathalia Veras

Nove anos! Nossa, nessa quase uma década tanta coisa aconteceu. Lembro-me como se fosse hoje do meu primeiro post no blog. Era abril de 2010 quando comecei a relatar minha história com a endometriose no A Endometriose e Eu no blogspot.

Não tinha nenhuma pretensão, além de desabafar. Quem diria que tanta gente iria se interessar por ler, ou melhor, que iria se identificar? De um diário virtual, nunca imaginei que um dia eu me transformaria numa mulher empreendedora a partir deste meu filhote.

Também nunca imaginei que esse meu filhote seria capaz de salvar tantas vidas. Bom, a primeira foi a minha própria vida. Até junho de 2012, além de relatar minha vida, comecei a traduzir alguns artigos internacionais, e, inclusive, já havia falado, pela primeira vez, do “Março Amarelo”, no dia 1º de março 2012.

Pois é, no Brasil, foi também o blog que começou a falar do Mês de Conscientização da Endometriose. Foi o A Endometriose e Eu que realizou o primeiro evento no mês de março! E foi deste espaço o pioneirismo em mostrar as diferenças dos tipos de cirurgia: remoção total dos focos x cauterização.

Com a minha cura, após minha segunda videolaparoscopia, em junho de 2012, e após conhecer virtualmente o cientista americano doutor David Redwine, transformei meu diário num modo jornalístico de ver e relatar a doença.

Me debrucei nos textos do doutor David Redwine (e coluna do blogspot) e descobri que a cura é de fato possível. Porém, que essa cura não é possível quando se faz a queima apenas da superfície, mas somente quando esse foco é totalmente retirado pela raiz por meio da excisão. 

Bom, mas o que descobri também é que não basta apenas a técnica correta, para retirar toda a doença e para ter chance de cura, é preciso conhecer todas as manifestações da doença, quer dizer, todas as manifestações (aparência e tonalidades) dos focos.

Segundo o doutor David Redwine, a reincidência e ou persistência da doença ainda é alta, não só pela confusão entre as técnicas cirúrgicas, mas pelo simples fato de que o cirurgião não sabe o que está procurando.

A maioria acha que o foco da endometriose é aquele escuro, o chamado “cor pólvora”, mas em 35 anos como cirurgião excisista, o doutor Redwine disse em vários textos que esta manifestação foi a menos comum que ele encontrou.

Ou seja, além de dominar a técnica de excisão – que são para poucos, por conta da complexidade – o cirurgião precisa conhecer e enxergar os vários tipos de focos no corpo da mulher.

Para fazer a excisão precisa ser um exímio cirurgião, e o resultado do doutor Redwine comprova que ele sabe exatamente o que fala: 18,7% de reincidência, ou seja, ele curou 81,3% de suas pacientes.

Em um determinado momento, após ser demitida por conta da endometriose, percebi que precisava optar por me dedicar apenas ao blog para que as endomulheres fossem percebidas e ouvidas e deixei para trás a vida de repórter de celebridades.

Comecei a estudar e a profissionalizar meu trabalho no blog, transformei-o em minha empresa, e hoje sinto muito orgulho desse meu filhote salvando vidas a todo momento mundo afora.

Nessa quase uma década de blog, estou me tornando uma jornalista especializada em endometriose. Possivelmente a única no mundo até o momento. Minha própria história de superação e cura foi o norte para eu executar o papel de jornalista: ouvir os dois lados.

De antemão, deixo bem claro, que essa “especialização” nada tem a ver em tratar, mas em levar informação de qualidade e dar uma direção às portadoras para que elas busquem o melhor tratamento para seu caso. Eu como jornalista reporto a informação, não a invento ou crio.

De abril de 2010 até junho de 2012, eu escutava apenas o lado da “menstruação retrógrada” e que a “doença não tem cura”. Ao mesmo tempo que obtive a minha cura, conheci o doutor David Redwine e a teoria embrionária ou Mulleriana.

Foi como encontrar uma “luz no fim do túnel” para as portadoras de endometriose. E o melhor: aqui no blog a informação é de distribuição gratuita para todas as portadoras de endometriose.

Ainda poucas pessoas são capazes de perceber o empreendedorismo por traz do blog. Mas a diferença no meu trabalho e no de toda a equipe está no profissionalismo e seriedade!

No meio do caminho fui presenteada com a capitania da EndoMarcha Time Brasil, trabalho completamente voluntário meu e de todos os coordenadores. Desde a 1ª edição, em 2014, o Brasil está à frente como o país com mais cidades inscritas. Em 2019 quintuplicamos e o país participou com 20 cidades.

Salvar vidas não tem preço. E que continuemos a salvar muitas e muitas vidas no Brasil e ao redor do mundo. Rumo aos 10 anos!! Obrigada a todas que confiam no nosso trabalho. Beijo carinhoso!

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