A história da leitora Michele Oliveira: da cura de sua endometriose profunda e diafragmática à sua gestação natural!

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É uma grande emoção contar a história da querida Michele Oliveira da Silva, de Brasília, neste mês de maio, mês que muitas mulheres se sentem para baixo por conta da celebração do dia das Mães.

Há 6 anos a gente se conheceu, em 2013 – época que já estava curada da endometriose, e ela descobrindo a doença e ainda bem assustada -, quando ela achou o blog A Endometriose e Eu na internet e viajou a São Paulo em busca de especialista.

Desde o início tivemos grande empatia. Em 2014, ela coordenou a EndoMarcha em Brasília, e, logo depois, numa audiência publica que participei na capital federal, a apresentei ao doutor Alysson Zanatta.

Depois de muita luta (mais de ano!) contra seu plano de saúde, que ela relata abaixo, Michele conseguiu realizar sua tão sonhada cirurgia de remoção total dos focos de sua endometriose profunda que acometia vários órgãos pelve.

Curada da endometriose pélvica, um tempo depois, ela descobriu que tinha endometriose no diafragma. As dores intensas no ombro esquerdo a cada ciclo menstrual (nota da editora: leia tudo sobre endometriose diafragmática nos textos 1 e textos 2 do doutor Redwine)  a levaram para cirurgia.

Um mês após a cirurgia de remoção total dos focos (e um pedaço do diafragma), Michele engravidou naturalmente. Abaixo, ela conta sua saga em busca da cura de suas duas endometrioses: pélvica e diafragmática.

Desde o início da coluna “História das Leitoras” no blog, faço questão de compartilhar uma história inspiradora de fé neste mês para levar mais esperança e perseverança às tentantes. Um beijo carinhoso! Caroline Salazar 

 

No ensaio newborn de Vitor em dezembro de 2018

“Meu nome é Michele Oliveira da Silva, tenho 34 anos, sou casada, servidora pública federal, moradora de Brasília/DF.

Descobri ser portadora de endometriose grau IV em 2013. Contudo, desde os 12 anos tenho sintomas da doença, em especial as terríveis cólicas, que aumentavam de intensidade com o passar dos anos.

Sentia cólicas praticamente desde a primeira menstruação e, desde muito jovem, já tinha uma rotina de frequentar hospitais mensalmente para tomar medicação intravenosa para alívio da dor.

Infelizmente, mesmo com esse quadro mensal de dores, nenhum médico nunca desconfiou que meu problema seria a endometriose.

No ano de 2010, cheguei até a implantar o DIU hormonal com o único objetivo de aliviar as dores mensais e, mesmo assim, nenhum dos médicos, nem o que indicou o DIU nem o que colocou, desconfiaram de endometriose.

Contudo, a colocação desse medicamento foi o marco inicial para minha descoberta. Tive grande dificuldade para implantar o DIU (muito provavelmente em razão da endometriose). Durante 3 meses, tive cólicas diárias.

Passados esses 3 meses, as dores diminuíram e consegui permanecer com ele, sem menstruar e sem ter dores fortes. Após 3 anos, voltei a sentir cólicas fortes, mesmo sem menstruar. Decidi, então, retirar o DIU, desconfiando que ele poderia estar sendo a causa das cólicas.

Após a retirada, as dores aumentaram e passei a sentir cólicas também fora do período menstrual. Em razão disso, tentei uma consulta com minha ginecologista. Sem disponibilidade de agenda, só consegui marcar com outra profissional, para minha sorte!

Em menos de 10 minutos de conversa, ela me perguntou: você já fez algum exame para diagnóstico de endometriose? Eu respondi: “Endometriose”? Não. Nunca. Ela fez o pedido do exame, me explicou que na ecografia transvaginal comum (que eu fazia anualmente), não era possível ver os focos de endometriose.

Eu, Michele e Douglas, que na época era seu namorado, quando a gente se conheceu em 2013, São Paulo.

Quando cheguei em casa, logo fui pesquisar o que era essa doença. O primeiro site que achei foi exatamente o blog “A Endometriose e Eu”. 

Quando li os sintomas já sabia que era portadora, bastava o exame para confirmar, pois de todos os sintomas listados o único que ainda não sabia se tinha ou não era a dificuldade para engravidar, pois nunca havia tentado.

Minha saga em busca da cura começou aí, em 2013. Primeiro, foi a dificuldade para achar um médico em Brasília que fizesse a ecografia transvaginal com preparo intestinal. Passei duas semanas para encontrar uma clínica que fizesse o exame e, é claro, só particular.

Durante o exame, a médica já me disse na hora: você tem endometriose e bastante! Fiquei muito assustada, pois não imaginava que já estava com a doença em grau tão avançado.

De posse do resultado do exame, comecei então a procura por especialistas para tratar a doença. Encontrei apenas um médico, na época, que atendia meu plano, e comecei o tratamento com ele. Inicialmente ele apenas me receitou o Alurene e disse que não seria caso de cirurgia, por enquanto.

Contudo, como sempre, gosto de ter a opinião de médicos diferentes, fui em outros e, nessa busca, ouvi os piores absurdos! Saí chorando muitas vezes dos consultórios.

Cheguei a ser orientada a deixar meu namorado e procurar imediatamente um homem que quisesse ter filhos sem demora. Chegaram a me dizer que eu não poderia esperar mais para ter filhos, pois quando eu quisesse eu não poderia ter mais.

Ouvi de um médico que primeiro ele teria que me submeter à uma cirurgia só para “ver a situação lá dentro”, para só depois eu voltar para a mesa de cirurgia e retirar os focos.

Detalhe: pagando separadamente por cada procedimento (que não eram baratos)!

Ouvi relatos de mulheres falando que tinham operado mais de 10 vezes, mulheres mutiladas, abandonadas por seus companheiros e até que se suicidaram em razão do desespero causado pela doença.  Ouvi que era melhor operar logo, ouvi que era melhor esperar…

Cada dia ouvia uma coisa e eu cheguei, na época, a essa conclusão: a única resposta que existe para essa doença é “não sei”. Qual a causa? Não sei. Quanto o melhor tratamento? Não sei. É melhor operar agora? Não sei. Vou melhorar após a cirurgia? Não sei… Era desesperador!

Ouvi muitas coisas e entreguei minha doença e minha vida nas mãos de Deus, mas, é claro, nunca deixei de me informar e de procurar ajuda especializada.

Nessa busca, a Caroline Salazar foi o primeiro anjo que Deus colocou em meu caminho. Ela foi a primeira a me ouvir, a me explicar sobre a doença, a compartilhar comigo a experiência dela… 

Com o apoio dela, fui até São Paulo, para me consultar com um especialista, o doutor Hélio Sato. Fiz uma bateria de exames e tive o diagnóstico de endometriose confirmado. Conversamos sobre o movimento que ela estava trazendo ao Brasil, a EndoMarcha, e topei coordenar.

No dia 13 de março de 2014, Brasília foi uma das 4 cidades que sediou a 1ª edição da Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose.

Com a irmã, Marta, o sobrinho Miguel, na EndoMarcha 2014 em Brasília. 

Alguns meses depois, a Caroline participou de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, e participei ativamente, pois na época era coordenadora da EndoMarcha na capital Federal.

Lá conheci meu segundo anjo da guarda: doutor Alysson Zannata.  Na primeira consulta, já percebi algo diferente nele: seu otimismo em relação ao tratamento. Essa sua postura sempre me encheu de esperanças!

Outra coisa que me atraiu foi o fato de não utilizar a medicação Zoladex após a cirurgia (eu não queria de forma alguma!). Decidi que ele seria meu médico a partir de então.

Iniciamos as tratativas para a realização da minha cirurgia. Foi um processo demorado, em especial por razão da aprovação por parte do plano de saúde e do levantamento do dinheiro para pagamento dos honorários.

O doutor Alysson participou ativamente de todo o processo, tudo que precisava ele sempre fazia sem demora. Finalmente, no final de 2015, conseguimos fazer a cirurgia.

A cirurgia durou quase 6 horas, precisei tirar em torno de 7cm do intestino e muitos focos de endometriose da cavidade pélvica, inclusive do útero e dos ovários. Foi um sucesso.

Meu pós-operatório foi tranquilo, sem muitas dores, sem complicações. Quando menstruei a primeira vez, sem sentir dor alguma, foi mágico. Nem acreditei! Durante 1 ano, aproximadamente, consegui menstruar sem dores.

A brasiliense Michele e o marido, Douglas, no Vão Livre do MASP na EndoMarcha São Paulo 2017.

Em 2017, viajei com meu marido, Douglas, à capital paulista para participar da EndoMarcha. 

Todavia, depois de um tempo, comecei a sentir dores no ombro direito. Inicialmente não desconfiava de endometriose, mas, com o tempo, passei a associar ao período menstrual e a primeira pessoa a me falar sobre endometriose no diafragma foi a Caroline.

Voltei ao doutor Alysson e decidimos, naquele momento, interromper a menstruação novamente. Ao interromper a menstruação, as dores sumiram. Após um ano, casei e decidir tentar engravidar.

Logo na primeira menstruação, as dores no ombro voltaram. A ressonância magnética confirmou a presença de 8 focos de endometriose no diafragma e não havia jeito: eu precisava passar por mais uma cirurgia.

Em razão da falta de especialista para a realização do procedimento com segurança em Brasília, doutor Alysson me encaminhou aos cuidados do meu terceiro anjo da guarda: doutor Ricardo Pereira. 

Em 2018, eu e minha princesa em visita à Michele, no pós-cirúrgico que retirou 8 focos de endometriose no diafragma e parte do órgão.

Minha segunda cirurgia foi realizada em fevereiro de 2018, em São Paulo, com a presença do doutor Alysson. Graças a Deus, o procedimento foi também um sucesso e meu pós-operatório muito tranquilo.

Durante essa cirurgia ficou confirmado o sucesso da primeira. Não tinha mais focos de endometriose na região pélvica! Estou curada da endometriose!

A melhor parte da minha história ainda está por vir! Um mês após a cirurgia engravidei! Sim, isso mesmo, um mês depois. Eu não esperava. Queria muito, mas nunca imaginei que conseguiria realizar meu sonho tão pouco tempo depois de uma cirurgia de médio porte, na qual retirei um pedaço do diafragma.

Descobrir a gravidez foi uma alegria sem tamanho. Dr. Alysson foi o primeiro a saber e logo me ligou quando viu a imagem do exame que enviei (ele é desses!).

Não tenho dúvidas que o milagre da minha gestação foi resultado de muitos fatores: em primeiro lugar, da minha fé e da fé da minha mãe, que juntamente comigo vinha orando por esse milagre!

No ensaio de seu álbum de gestante aos 7 meses de gestação no Vila Giardini.

Do sucesso da cirurgia realizada em 2015 pela equipe do doutor Alysson em Brasília. Do sucesso da cirurgia realizada em 2018 em São Paulo. Da ajuda sempre amiga da Caroline.

Da esperança nessa gestação que o doutor Alysson nunca me tirou, pelo contrário, sempre me tranquilizou que daria certo! Da torcida de todos os meus amigos e familiares pela realização do meu sonho da maternidade!

E, em especial, do meu marido, amigo, pai do meu filho, que esteve junto comigo durante todo esse trajeto, que sempre acreditou na minha cura, que cuidou de mim e, principalmente, que nunca me permitiu sequer cogitar da possibilidade de não engravidar.

Exibindo o barrigão com o marido, Douglas, aos 8 meses de gravidez no Parque Ecológico Península dos Ministros.

As oportunidades que tentei conversar sobre o assunto, ele logo falava: você vai conseguir engravidar sim! Você, Douglas, foi minha fé, minha força, minha esperança!

O encontro de Michele e Vitor logo após o nascimento, em dezembro de 2018.

Hoje, graças a Deus, estou com meu filho nos braços! Vitor nasceu dia 5 de dezembro, de parto normal, com 50cm e 3,215 quilos. Foi um momento lindo, o encontro com meu filho, meu milagre, e a sensação de vitória, de força, de que tudo podemos!!!

Fiquei muito emocionada em fazer meu relato aqui no blog exatamente no mês de maio, mês das mães. Não apenas porque consegui realizar o meu sonho, mas porque foram histórias como a minha que sempre encheram meu coração de esperança.

Michele e Ana Karenina na EndoMarcha 2018 em Brasília.

Espero fazer o mesmo por muitas mulheres que hoje se perguntam sobre o rumo da sua vida após o diagnóstico dessa doença.

Gostaria, por fim, de fazer um pequeno resumo do que aprendi com essa doença ainda tão enigmática para muitas pessoas:
– nunca fique com a opinião de apenas um médico;
– procure tratamento com um profissional que te transmita confiança, um especialista com
experiência que possa cuidar de você com segurança;
– nunca desista dos seus sonhos, em especial o de ser mãe um dia;
– sempre se cerque de pessoas positivas e dispostas a ajudar;
– compartilhe suas experiências com outras portadoras e busque ajuda, apoio emocional;
– acredite: com o tratamento correto a cura é possível; e
– por fim e a mais importante: não perca sua fé!

Deus pode tudo! Beijo com carinho, Michele”

Fotos: Divulgação/ Michele Oliveira da Silva

 

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